Hoje eu vou de: BIKE?

Publicado: 2 de março de 2011 em Pedal

Como todo bom ciclista, morador de uma das capitais brasileiras, vivo o sonho do transporte sem carro. O motivo é bem simples: gasto no mínimo uma hora de carro até o trabalho todos os dias, o que somado com a volta correspondem a duas horas por dia, NO MÍNIMO! Nos dias em que o trânsito está mais carregado, esse traslado chega a ser feito com três horas para ida e volta!

Assumo que não sou o melhor exemplo para falar sobre trânsito e principalmente sobre ficar dentro de um carro por três horas e confesso que não tenho muita paciência com isso! O fato de estar “ocioso” dentro do carro de alguma forma me deixa bem triste. Sempre penso assim: são duas horas que eu poderia correr ao menos 21km… são duas horas que eu poderia fazer uma ida e volta ao Aeroporto de Confins de bike… são duas horas que eu poderia ir para academia… ou escrever um post para o blog, ou ver um filme, uma novela, um seriado, umas propagandas… ou QUALQUER OUTRA COISA, menos, ficar DENTRO do carro!

Agora, vou tentar dar algum tipo de embasamento “técnico” para reforçar a minha expectativa de ir ao trabalho de bike.

1 – Comecemos pela emissão de CO2:

Tem um site bem legal de Portugal, Iniciativa Verde: http://www.iniciativaverde.org.br/pt/calculadora

Nele é possível fazer um cálculo estimado de nossa emissão de CO2 mês.

Pelas minhas contas, conforme meu uso mensal de carro (cerca de 2.200km/Mês), utilizando a opção veículo pequeno flex fluel, emito cerca de 230kg de CO2 mês, ou seja, 2.76 toneladas de CO2 ano na atmosfera. Tentei outros sites, achei piores, apesar de o volume dado pela calculadora deles ser maior que este site português.

Enfim, utilizando uma bike, essa emissão seria reduzida em 100%. Não emitiria nem uma virgula de CO2 pela queima de combustível para me locomover para o trabalho!

2 – Utilização de espaço físico:

Onde trafega um carro, mediamente ocupado por 1,2 pessoas (http://www.akatu.org.br/central/noticias_akatu/2007/setembro/dicas-para-o-uso-consciente-do-carro/) trafegam quatro bikes! Onde estaciona um carro, estacionam ao menos seis bikes (folgadas).

3 – Economia de d-i-n-h-e-i-r-o:

Se eu rodo cerca de 2.200km/ mês, entonces, tenho que manter o carro abastecido para tal. O preço médio do litro de gasolina em Belo Horizonte hoje, está em R$2,53. Ou seja, se meu carro faz em média 10km/litro, tenho:

. 2200/10 = 220 Litros de gasolina mês

. 220 x 2,53 = R$556,60 de gasolina

Essa conta não envolve o desgaste do carro, tampouco os gastos com estacionamento, seguro, IPVA, DPVAT, revisões, entre outros. Caso eu fizesse essa conta, acho que, como todo bom descendente de libanês, ficaria desesperado e colocaria todos na família para andar de bicicleta!

4 – Pela SAÚDE:

Dentro do carro por uma hora tenho certeza que faço gasto de algumas calorias, de tão inquieto que fico, não consigo parar de movimentar. Mas, consideremos que este gasto é “irrelevante” para nossa análise.

Em uma bike, por uma hora, conforme o site Cooperativa do Fitness (http://www.cdof.com.br/nutri1.htm), tenho um gasto energético de 304kcal, considerando a atividade focada em lazer/ciclismo para o trabalho.

Acho que estes são os principais motivos para o uso da bike no dia-a-dia!

O Mountain Bike BH (grupo de ciclistas de Belo Horizonte – www.mtbbh.com.br) junto a equipe do Transporte Ativo (www.ta.org.br), fizerem uma cartilha educativa para a utilização de bike no dia-a-dia, incluindo dicas para empresas e o que elas podem fazer para contribuir para o uso diário da bike, aqui vai: http://www.ta.org.br/educativos/DOCS/De_bicicleta_para_o_trabalho.pdf

Outros links que considero excelentes exemplos de infraestrutura para estimular o uso da bike nas cidades:

Bike Garage Brisbane na Austrália, literalmente um SONHO!

Union Station Bike Park em Washington D.C., muito legal!

Vou fazer meu breve comentário sobre o “incidente” ocorrido em Porto Alegre na sexta-feira passada em que um motorista atravessou uma “bicicletada” de ciclistas manifestando o uso da bike na cidade. Acho uma pena o ocorrido, mas, faço um alerta a motoristas e ciclistas: Trânsito é um local de encontro de todos os meios de transporte! Deve haver respeito entre todos os meios de transporte para que o trânsito funcione de maneira agradável! Neste sentido, nos ciclistas não temos que INTERROMPER o trânsito dos motoristas, bem como o inverso não deve ser feito! Devemos sim, conviver TODOS de maneira educada no mesmo trânsito.

Agora, se vocês querem excelentes motivos para não usar a bicicleta no dia-a-dia, aqui vai uma dica de Blog, Ciclorganico, que lista 10: http://ciclorganico.wordpress.com/2010/09/07/as-melhores-razoes-para-nao-usar-bicicleta-no-dia-a-dia/

Trajeto do Pedal

Sábado 05h45min, abri ambos, olho esquerdo e direito, ao mesmo tempo! A adrenalina já estava correndo nas veias. O pedal estava marcado para 07h00min!

Lembrei: “Minha câmara de ar reserva está furada!”

Solução: “Colo a câmara! Até por que, no último treino para Confins, foram três pneus furados! Mas, desta vez, tenho CERTEZA, de que nada vai dar errado!”

Alguém já havia me ensinado a não contar com a sorte em todos os momentos da vida, porém, acho que me ocorreu um estado de otimismo fantástico, não era como se estivesse contando com a sorte, era como se tudo fosse ser show! Enfim…

Câmara “colada”, bomba guardada, ferramentas, água e, aqui vai a segunda burrada do dia, RESOLVI, Deus sabe por que, não levar a garrafinha com Maltodextrina (um suplemento rico em carboidrato, usado com diluição em água para auxiliar a reposição de nutrientes nos treinos, excelente diga-se de passagem).

Em seguida, 06h20min, me alimentei, pouco, pois sabia que seria um pedal “curto”, com cerca de 80 km, então: Uma fatia de pão com muito mel, duas medidas de carboidrato contendo 80g de carboidratos diluído em água e GEL (outro suplemento que contém cafeína e carboidrato).

Pé na tábua! Dei a SORTE de encontrar o calibrador do posto na esquina de casa funcionando! Fiquei maravilhado, pois dentro da cidade é o único calibrador que tenho conhecimento encher pneu das bicicletas de asfalto (que variam entre 120psi e 200psi).

Tudo certo! Encontrei com o parceiro de pedal, Igor, vulgo BROW e rachamos fora!

O bacana da turma que andamos é que por trás de todo companheirismo, existe uma disputa pessoal que ocorre nos momentos de treino! A meta é: deixe-o pra trás o máximo possível! O famoso “faca na caveira” do filme Tropa de Elite.

Para um ciclista que acorda 05h45min SEM DESPERTADOR, vocês podem imaginar como estava meu espírito competitivo neste dia!

O Brow tem uma característica incrível! Tem uma força física absurda, o que ajuda muito nos momentos de explosão, e nestas horas, você quer estar longe dele, pois ele vai te pegar!

Na primeira subida para valer, já na Linha Verde, fui deixando o Brow para trás – vou me vangloriar deste momento hoje, pois sei que dentro de pouco tempo a realidade será outra.

Quando o perdi de vista, parei, pois por mais que isso seja gratificante, fica sempre a preocupação de nossos parceiros estarem bem e a salvo! Neste momento, vejo o Dr. Brow no início da subida com o PNEU FURADO!

Não sei exatamente o que pensei na hora, mas as palavras que saíram por fim foram “P. QUE PARRIU”.

Paciência! A troca foi um drama A colagem que eu havia feito na câmara ficou uma bela porcaria e o furo abriu. Conclusão: tivemos que COLAR o pneu! Acreditem, colar o pneu de uma bike de asfalto pode ser um drama!

45min depois, um parto, algumas risadas e o corpo FRIO, conseguimos deixar a bike no jeito para ir até o próximo posto e encher o pneu como GENTE, pois encher 120psi com uma bombinha de MÃO é algo que eu não tenho palavras para descrever! Se você esta lendo este post e em algum momento de sua vida já consegui encher um pneu de bike com uma bombinha de mão até 120psi, ficarei feliz em lhe pagar uma caixa de cerveja!

Por SORTE do Brow, estávamos muito perto de um posto! Para nosso AZAR, o calibrador do posto não passava de 60psi! Sabe a expressão: “Felicidade de pobre dura pouco.”? Ela resume o sentimento do momento!

Ufa… tudo feito! Antes de sairmos do posto, eu e meus dois pacotes de GEL com cafeína, pensei: “Como um gel agora! Essa cafeína vai me ajudar.” Por educação, ofereci para o Brow e fiz a propaganda: “Brow, é GEL com cafeína!” o Brow: “Demorou! Arruma um ai.” Neste momento (com todo respeito ao meu grande amigo Brow), fiquei sem comida.

Conseguimos fazer uma excelente ida para Confins. Mesmo com a parada, chegamos em Confins com uma hora de pedal, o que para um ciclista “frio”, não é tão ruim assim!

Quando o Igor chegou ao aeroporto, olhou para mim e disse: “Velho, meu pneu começou a esvaziar!”.  Este foi o terceiro “azar” do pedal. Bateu a sensação de que lá íamos nós outra vez, perder um século para colar a porcaria do pneu. E me perguntei: “Por que é que eu não tenho uma bombinha de CO2?”.

Foi então, que aconteceu nossa segunda “sorte”. Encontramos um grupo de ciclistas e compramos uma câmara de ar!

PAUSA

Aqui vai um conselho de amigo: Num pedal, apesar da camaradagem, nada tem preço! Uma câmara de ar na loja custa R$15,00, no pedal, pode chegar a R$30,00! Ou seja, é melhor levar DUAS CÂMARAS DE AR novas para o pedal do que ter que “comprar” de um ciclista precavido!

VOLTANDO:

A câmara de ar saiu por R$15,00 (ufa). Nunca foi tão bom comprar uma câmara de ar na nossa vida! Trocamos a câmara e pensamos: “Agora é correr para pegar o pessoal”.

DETALHE: Matematicamente, nossa situação era: garrafinhas com água e duas câmaras de ar FURADAS no nosso “kit” reparos!

Voltamos num ritmo excelente até o primeiro posto, que foi onde paramos para encher o pneu do Brow, dessa vez com câmara nova! Já havíamos ultrapassado todos os pelotões que passaram por nós em Confins! Maravilha!

 Sorte?

Novamente, o calibrador do posto não passava das 60psi! Vou deixar os palavrões utilizados de lado…

Apesar da baixa calibragem… pensamos: “Vãobora” Temos que passar todos os ciclistas novamente!

Quando estávamos na subida depois do posto, já chegando ao primeiro pelotão que tinha nos ultrapassado, o que aconteceu?

O MEU PNEU FUROU!

A situação: 09h45min, sem câmara, PUTO, e sem esperança!

Solução: andamos até o próximo posto, com o pneu furado mesmo. Por SORTE lá tinha uma borracharia! Por AZAR, o Sr. Borracheiro disse: “Colar esses pneu fininho assim ó, dá não.”

Foi a primeira vez em minha vida que consegui colar um pneu com 4 minutos, sem tirar a roda da bicicleta! Já estava tão desiludido com o pedal que não queria me dar o trabalho de tirar a roda da bike. 4 minutos mais tarde o Brow olhou para mim e disse: “Colou o pneu?”, e eu respondi: “Rá! Lógico negão!”.

Pé na tábua!

Só que desta vez, a fatia de pão com mel e os carboidratos já tinham sido consumidos! O meu corpo já estava zerado de energia!

Me arrastei para acompanhar o Brow e cheguei em casa acabado!

Assim que pisei dentro de casa, recebo uma ligação do Brow:

Brow: “Luís! Velho! Meu pneu furou!